Arara-azul resgatada recebe cuidados no Centro de Triagem de Animais Silvestres

Animais foram apreendidos pelo BPA após denúncia anônima e encaminhados para avaliação médica

Raissa Matias / Ascom IMA/AL

Na última terça-feira (18), o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), gerido pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), recebeu animais vítimas de maus tratos que foram resgatados pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) em Feira Grande, no Agreste Alagoano, após uma denúncia anônima.

Segundo o BPA, a ação se deu após a informação de que o local investigado funcionaria como criadouro comercial clandestino de animais silvestres, prática considerada crime conforme a Lei nº 9.605/98. Foram apreendidos 71 animais silvestres dos grupos de passeriformes, quelônios e psitacídeos, que estavam sendo mantidos em cativeiro, entre eles uma Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), espécie ameaçada de extinção e protegida por legislação ambiental.

“Esses animais foram trazidos para que pudéssemos avaliar suas condições. Entre os animais, ficamos impressionados por terem chegado até aqui uma Arara-azul e duas Araras-canindé, que são animais que não fazem parte da nossa fauna nativa. A arara-azul está bem debilitada, com falhas nas penas e crescimento anormal do bico e das unhas, o que sugere que este animal não recebia alimentação adequada no local onde estava sendo mantida”, explicou a médica veterinária e bióloga do Cetas, Ana Cecília Pires.

De acordo com a veterinária, nos primeiros vídeos recebidos era possível perceber que os animais estavam em situação de maus tratos, em ambiente inadequado e sujo, além de não ter alimentação ou limpeza apropriada nem um poleiro para descanso. Após as avaliações, foi constatado que uma das Araras-canindé (Ara ararauna) apresenta atrofia de membros posteriores, o que impede sua movimentação. A outra está bem e, depois de um período de quarentena, irá para um recinto onde será reabilitada e, se possível, voltará para a natureza. 

“Já a Arara-azul vai passar por mais alguns exames para descartarmos outras doenças que podem estar incubadas no animal. Então, ela deve passar algum tempo aqui conosco para ser tratada e, após isso, passará por uma nova avaliação que vai indicar se ela poderá voltar à natureza ou se deve ser encaminhada para algum empreendimento de fauna, como zoológicos ou criadouros comerciais legalizados”, disse.

A Arara-azul-grande é um animal ameaçado de extinção devido à destruição dos seus habitats e ao comércio ilegal. Desde 2014 ela está classificada como “vulnerável” na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

O caso mostra como a população pode ajudar a coibir crimes ambientais. Qualquer pessoa pode fazer uma denúncia anônima através do app IMA Denuncie ou para o BPA, através dos números 181 ou (82) 98833-5879.