Educação Ambiental do IMA destaca preceitos da
agroecologia: como são essenciais para uma dieta rica e de baixo impacto à
natureza
Janderson Oliveira
Uma boa alimentação vai além da ingestão de nutrientes. Esse
hábito cotidiano também pode contribuir para preservação ou degradação da
natureza. O Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA/AL) enfatiza a
importância da consciência ambiental durante as refeições, desde o plantio à
colheita, etapas que determinam o que é uma comida ecologicamente sustentável.
Meraldo Rocha, pedagogo e consultor ambiental do IMA,
recomenda a construção de uma dieta feita por vegetais e alimentos orgânicos,
de acordo com a necessidade de manter uma relação de respeito com os recursos
naturais.
“A relação com as plantas ultrapassa uma boa sombra,
fornecimento de oxigênio e diminuição de ruídos. Elas compõem também a questão
alimentar, primordial para nossa sobrevivência. Ao enxergar os recursos
naturais como fonte de vida, constrói-se o entendimento da necessidade de
preservar a natureza ao consumir alimentos de manejo menos agressivos ao meio
ambiente”, explica.
Comer com consciência ambiental é comer com saúde, esta é a
mensagem da Gerência de Educação Ambiental (Gedam/IMA) nas atividades com a
população, comenta Meraldo.
“O projeto Alagoas Mais Verde realiza o plantio de mudas
nativas, principalmente junto a escolas. O acompanhamento de aulas de campo
possibilita o trabalho próximo com as comunidades que vai até a colheita dos
frutos”, detalha o consultor ambiental. “Sempre usamos conceitos da
agroecologia nas aulas. Falamos de regenerar o ecossistema para que não haja
uso de elementos químicos, situação decorrente do não ter entendimento de como
plantar”, destaca.

Este conceito vai de acordo com a Teoria da Trofobiose,
mencionada por Gilberto Barden, coordenador do Setor de Produção do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Alagoas.
“A planta só adoece quando ela cresce em desequilíbrio, sem
ter os nutrientes que ela precisa. A agroecologia é formada por práticas
sustentáveis que ajudam a ter esse equilíbrio ao preservar o meio ambiente, o
solo, a água e as florestas. Com esses preceitos podemos produzir alimentos
mais saudáveis, o que nesse sentido são alimentos sem agrotóxicos, elementos
químicos que prejudicam o solo e o ser humano”, explica o agricultor.
Gilberto ainda explica a dificuldade num processo
transitório do solo quando o MST firma assentamento em terras desapropriadas
pela reforma agrária.
"Pegamos solos muito desgastados nos assentamentos,
solos prejudicados pela monocultura, geralmente cana de açúcar. Apenas com as
práticas de manejo sustentável conseguimos restaurar o equilíbrio para gerar
produção”, detalha.
É possível aderir a agroecologia durante a pandemia

As ações tradicionais do IMA precisaram ser reinventadas
durante a pandemia de Covid-19, desde a fiscalização até a educação ambiental.
Meraldo Rocha, pedagogo e consultor ambiental da Gedam, comenta sobre o desafio
de fazer trabalhos a distância com a população.
“É um período para refletir. As pessoas passaram a se
perguntar o que comer dentro de casa, pouco podendo sair. A Gedam assumiu esse
desafio de desenvolver atividades de produção de alimentos mais saudáveis que a
própria população possa produzir em casa”, afirmou.
Nesse sentido, a Gerência de Educação Ambiental promoveu uma
oficina virtual gratuita e acessível de hortas em pequenos espaços. A
iniciativa fez parte do Mês do Meio Ambiente do IMA, em junho deste ano; evento
elaborado com programação diversa entre oficinas e mesas de debate com
temas de interesse público.
Confira a oficina de hortas em pequenos espaços, e outros conteúdos especiais, no canal do IMA no YouTube: